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  • biancakachani

O que Priscilla e eu temos em comum




Acabei de sair do cinema, fui ver Priscilla, novo filme da Sofia Coppola – e sim, estou um pouco obcecada, talvez por ter me identificado tanto com a protagonista, retratada de forma tão real e acessível.


Esta não é uma análise do filme, da fotografia, trilha sonora ou qualquer coisa do tipo. Tenho zero pretensão de fazer isso e sinceramente nem saberia como.


Se quiserem ler sobre cinema, leiam Paula Jacob (@pjaycob), jornalista maravilhosa que se formou comigo e ela, sim, tem propriedade para fazer isso.


Este é um texto sobre o que Priscilla eu temos em comum. 


Não, eu não nunca tive um relacionamento com um astro da música. Mas não é muito diferente com homens comuns (ou não tão comuns assim).


Me vi nela em muitos momentos: o deslumbre por um homem mais velho e bem sucedido, o anseio por fazer parte daquele mundo, custe o que custar, a admiração, o abandono, a espera.


Vou mais além. 


Os dias à deriva na mansão de Elvis, em que sua cachorra é a sua única companhia, à espera de um telefonema daquele que está em algum lugar distante fazendo coisas grandiosas, com pessoas que ela não conhece e que provavelmente não sabem de sua existência.


As fofocas. 


As incontáveis vezes em que ela diz que sente saudades, mas ele não diz de volta.


O prazer que mora em ser a escolhida por aquele homem que é incompreendido por tantos, em ser a pessoa para quem ele se volta quando as coisas não estão bem.


O esforço para atingir as expectativas com a esperança de que algum dia ele enxergará sua devoção, seu amor, sua vontade. Com a esperança de que algum dia aquela relação seja também sobre ela, sobre suas necessidades. Com a esperança de algum dia ser colocada como prioridade, ser vista. Com a esperança de que algum dia ela tenha sua atenção como no início. Com a esperança de algum dia aparecer ao lado dele em público, como se isso validasse, de alguma maneira, a sua existência.


Paula descreve perfeitamente em seu texto sobre o longa:


“Viagens internacionais, outras mulheres, fofocas das mais variadas, cartas não respondidas, telefonemas aleatórios, e ela se alimentando por brechas. Brechas que começam até que brevemente espaçadas, podemos compreender a disputa por um horário na vida do grande Elvis Presley, mas, depois, vira só maldade, contornos, desculpas infundadas. E Priscilla permanece – a gente permanece, sabemos disso”. 

A pergunta que fica para mim é: por quê? Por que somos (ou sou?) atraídas a isso? 


Para fechar, um trecho de “Mata teu pai”, de Grace Passô, uma das obras em que foi baseada a minha última peça:


“Por quanto tempo mais vamos suportar este homem que só está entre nós na ausência?”. 

Sou uma feminista exausta de esperar pelas brechas.

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