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  • biancakachani

Pelo amor de deus, leia este livro



Há uns meses atrás Tati me falou de “A rosa mais vermelha desabrocha”, de Liv Stromquist. Achei interessante, mas com vários outros livros na fila, trabalho, teatro, vida, acabei não comprando. Até que, na semana passada, vagando pelas prateleiras da Livraria da Vila, trombei com ele e pensei: é agora.


Se tivesse lido há uns meses atrás não teria sido um momento tão perfeito como foi agora (se você é uma leitora assídua deve ter visto no último texto que recentemente levei um ghosting. Calma, já explico o que uma coisa tem a ver com a outra).


“A rosa mais vermelha desabrocha” é um livro em quadrinhos que fala sobre o amor em tempos de capitalismo tardio, porque as pessoas se apaixonam tão raramente hoje em dia e como o amor deixou de ser uma força misteriosa para se tornar uma ciência exata.

A partir de histórias como a de Sócrates, que traiu Alcibíades há mais de dois mil anos, Leonardo Di Caprio e suas várias namoradas modelos, e com a ajuda de Beyoncé, do filósofo Sören Kierkegaard, dos smurfs e de outros especialistas na arte de amar, a autora aborda questões como: podemos controlar o amor? O que realmente acontece quando ele acaba? Por que procuramos ser mais amados do que amar? Entre outras coisas.


É claro que eu não vou responder todas essas perguntas aqui (o livro tá aí pra isso né, gatas). Mas queria falar sobre algumas reflexões que tive durante a leitura (e também conversando sobre o livro na mesa do bar com a Tati).

Vinha me culpando muito por uma relação que não deu certo quando eu disse que queria namorar (oi, ghosting). Mais do que isso, sempre carreguei a culpa de relações que não foram pra frente por achar que eu sempre quero mais do que o outro pode me dar, que assusto o outro com os meus sentimentos ou que sou emocionalmente desequilibrada por gostar do outro rápido demais.


Lendo, descobri que talvez essa pressão para reprimir o que sinto pode ser explicada pelo fato de que, hoje, se apaixonar é visto como sinal de fraqueza. Liv explica:


“Enquanto no século XIX os homens manifestavam sua masculinidade mediante a firmeza emocional e a exibição quase ostensiva de sua capacidade de fazer e cumprir promessas, a masculinidade moderna mais frequentemente se manifesta na retenção e não demonstração dos sentimentos”.

Ou seja, enquanto lá atrás um homem provava sua masculinidade por meio de declarações de amor e construindo uma família, hoje isso é visto como mais uma fragilidade feminina.


“Surgiu uma nova forma de dominação emocional por parte dos homens, que se manifesta na acessibilidade emocional das mulheres e na relutância dos homens em se comprometer”.

Uma vez que a indisponibilidade emocional é vista como uma virtude masculina, “as mulheres são forçadas a ficar caladas sobre seu desejo e imitar a atitude distanciada dos homens e sua busca pela autonomia, pois o comportamento dos homens tem alto status, enquanto o das mulheres tem baixo status”.

Nos culpamos por simplesmente sentir.


A independência e o empoderamento feminino são avanços indiscutíveis, mas também vêm acompanhamos da exigência cultural de que escondamos nosso anseio pela exclusividade sexual, pelo amor verdadeiro e por um vínculo emocional profundo – afinal, isso nos torna pouco atraentes para os homens.


“Surgiu uma exigência cultural de que as mulheres finjam seu desinteresse por um relacionamento íntimo, com o objetivo de ainda poderem ficar com um homem”.

Bem, saber de tudo isso me trouxe uma tranquilidade incrível de pensar que talvez eu simplesmente não esteja sucumbindo às pressões da sociedade. Em um mundo onde se apaixonar virou demodê, eu provavelmente sou muito forte em bancar e expressar os meus sentimentos, ficar triste por perder quem me tira do eixo ou simplesmente falar "quero namorar com você".


Sim, se apaixonar dá medo. Mas não gosto da ideia de que não é sexy sofrer por alguém.


Liv fala um pouco sobre como o desempenho é super-valorizado em nossa sociedade e como, partindo deste princípio, se apaixonar é mais parecido com o fracasso, com desistir diante de algo, se render.

Talvez seja isso.

Se pensarmos no termo em inglês “fall in love”, se apaixonar é, literalmente, perder o controle, cair.

“Estar apaixonado é como estar completamente impotente, sem braços e pernas, feito um pedaço de carne no espeto que fica girando numa lanchonete gordurosa, sem capacidade para nada, além de queimar indefesa; você não pode nada, você só existe num tipo de lugar que abriga um desejo, um único desejo, que é ficar perto de um cara estúpido chamado Kevin (ou quem quer que seja)”.

Mas é bom.


Pra variar, é tudo culpa do capitalismo e do patriarcado.


Por aqui, vou continuar amando, me apaixonando, “caindo” por pessoas que me encantam e, agora mais do que nunca, sempre deixando isso muito claro, sem medo de expor os meus sentimentos.

E você, pelo amor de deus, leia este livro!

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